2.09.2026

A vitória do socialista Seguro em Portugal e suas repercussões

 


Qual a importância da vitória do socialista António José Seguro nas eleições presidenciais de Portugal? E qual suas repercussões significativas tanto para o campo progressista quanto para a extrema direita, no mundo, na Europa, na américa Latina, em especifico, para o Brasil em ano eleitoral?

Vamos iniciar repercutindo sobre o impacto para o campo progressista, sobre o processo eleitoral em Portugal, que deu uma vitória esmagadora à Seguro com cerca de 66% dos votos contra 33% de André Ventura, uma espécie Bolsonaro português, do partido Chega, o que equivale ao PL brasileiro. Em termos globais ela representa uma reversão na tendencia de onda conservadora mundial e a consolidação do Partido Socialista reforçando a democracia frente ao avanço da extrema direita. É também a maior votação já registrada em eleições presidenciais no país, o que fortalece a legitimidade do campo progressista Portugal, que no mesmo pleito eleitoral viu o crescimento da extrema direita no país.

Saindo a conjuntura portuguesa e olhando para a Europa, o resultado é visto como um freio ao crescimento da extrema direita no continente, que vinha ganhando espaço em países como França, Itália e Espanha. A eleição de um socialista moderado reforça a narrativa de que ainda há espaço para políticas inclusivas e democráticas no continente, em especial, para as políticas migratórias e para os refugiados que crescem a cada dias fruto das dolorosas guerras mundo a fora.

Com um mundo cada vez mais globalizado e conectado esse resultado extrapolar os limites geográficos de Portugal, e aqui vamos refletir o impacto para a América Latina. Aqui no continente sul-americano, a vitória foi celebrada por vários líderes progressistas, entre eles está Lula, que destacou o reforço da parceria entre Brasil e Portugal e o apoio português ao acordo Mercosul-União Europeia. Isso fortalece a posição dos governos latino-americanos que defendem integração regional e cooperação internacional.

O resultado é interpretado pelo campo progressista sul-americano como um sinal positivo, que vê na vitória de Seguro uma validação internacional de suas lutas pelos multilateralismos, contra o fim o imperialismo e contra a extrema direita. Em especial para o Brasil, maior potência econômica e política do continente, que vê a oportunidade de reforçar os laços históricos e culturais com Portugal, ampliando a cooperação política e econômica.

Já olhando para a extrema direita, podemos traçar o seguinte raciocínio: Apesar da derrota, André Ventura e o partido Chega consolidaram uma base eleitoral expressiva (33%), muito acima dos resultados anteriores. Isso mostra que a extrema direita não desaparece, mas se mantém como força política relevante, ainda que derrotada. Na Europa onde o conservadorismo crescendo de maneira vertiginosos, a derrota de Ventura é um revés simbólico, pois vinha acumulando vitórias e crescimento. O resultado em Portugal pode servir de exemplo de resistência democrática, mas também alerta que o movimento segue forte e mobilizado.

Já para grupos de extrema direita sul-americanos, a derrota em Portugal é um sinal de que o avanço não é inevitável. No entanto, pode também ser usado como narrativa de “vitimização” e reforço da ideia de que o sistema político estaria contra eles, como sempre, em especial o judiciário. No Brasil: A extrema direita brasileira perde um aliado simbólico na Europa, o que enfraquece sua retórica internacional. Ao mesmo tempo, a votação expressiva de Ventura pode ser usada como argumento de que há uma base sólida para o conservadorismo radical, mesmo quando derrotado. O que reforçaria a candidatura de Flavio Bolsonaro em detrimento de um candidato do “CENTRÃO”. Em resumo, a vitória de António José Seguro fortalece o campo progressista globalmente e dá fôlego às forças democráticas, mas também evidencia que a extrema direita continua sendo uma força política relevante, capaz de mobilizar grandes parcelas da população.

Por fim, vamos discutir de forma hipotética, como uma vitória do líder socialista português podem repercutir no Brasil em ano eleitoral, levando em consideração as analises realizadas acima, em relação os dois campos políticos, no mundo, na Europa e na América Latina.

Levando em consideração a relações históricas Brasil–Portugal, as mudanças políticas em Portugal costumam ser acompanhadas de perto no Brasil, dado o vínculo cultural e diplomático. Uma vitória socialista pode ser interpretada como fortalecimento de partidos de centro-esquerda na lusofonia. Nesse contexto a narrativa eleitoral interna em ano de eleição ganha combustível, os partidos brasileiros podem usar o exemplo português como referência: seja para reforçar discursos sobre políticas sociais, seja para criticar modelos de gestão pública excludente, barreiras alfandegarias e de migração.

A integração econômica e cultural, embora não tenha impacto direto sobre o cenário eleitoral brasileiro, a vitória do líder progressista pode estimular debates sobre imigração, cooperação acadêmica e investimentos bilaterais. Em resumo: não há repercussão prática imediata no processo eleitoral brasileiro, mas a vitória de Antônio José Seguro, tem repercussão simbólica e discursiva, usados como referência por partidos e analistas em meio ao clima eleitoral.

Ao ler esse artigo, comente, critique, sugere para que possamos trazer mais temas de interesse político, social e econômico


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