De antemão, que deixar claro que esse é um artigo de percepções subjetiva, com base nas pesquisas mais recente e com resultados aproximados, além de muita leitura e acompanhamento dos noticiários das movimentação políticas. Porém, não que dizer que as leituras feitas aqui não tenham validade, pois a pesquisas são retratos de momentos muitas vezes transitórios e voláteis, é preciso esta atento a fatos e conjecturas sensíveis que muitas vezes são mais permanentes e duradouras.
Então
vamos começar pela pergunta que faz bastante sentido no contexto político
brasileiro. Com a ausência de candidatos competitivos do centro, a exemplo do
pleito passado, como Ciro Gomes, Simone Tebet, há chances de uma reeleição do Presidente
Lula já no primeiro turno? Sem esse de centro, seja os três presidenciáveis o
PSD ou do PP/UNIÃO BRASIL, a resposta é contundente, sim, as chances de Lula
vencer no primeiro turno aumentam significativamente, por alguns motivos chaves que vou abordar de forma objetiva.
O
primeiro motivo seria a concentração do voto “anti-Bolsonaro”. Em cenários sem centro forte, o
eleitorado tende a se polarizar. Parte relevante do eleitor que poderia
votar em nomes de centro acaba migrando para Lula como voto útil, para encerrar
a disputa logo no primeiro turno.
O segundo
motivo está a uma Base eleitoral consolidada do Lula. Lula costuma partir de um patamar
alto de intenção de votos, especialmente, no Nordeste, entre eleitores de baixa
renda e entre eleitores que avaliam positivamente seus governos passados. Sem
candidaturas competitivas drenando votos desse campo, ele se aproxima mais
facilmente dos 50% + 1 dos votos válidos.
O terceiro motivo está relacionado a possível fragmentação
da direita. Se o
campo à direita estiver dividido (Bolsonaro + eventuais candidaturas menores),
isso facilita ainda mais uma vitória no primeiro turno. Mesmo uma direita
relativamente coesa, sem um centro forte, já ajuda Lula.
Por fim
um quarto motivo, é o histórico recente ajuda a entender as razões apresentadas
até aqui. Em 2022,
mesmo com Tebet e Ciro na disputa, Lula venceu o primeiro turno com cerca de
48% dos votos válidos, ficando muito perto de liquidar a eleição ali. Sem eles,
parte relevante desses votos tenderia a migrar para Lula.
Então, em
termos práticos poderíamos fazer um seguinte resumo: Com centro fraco ou
inexistente: chances reais e altas de vitória no 1º turno: Com direita fragmentada,
chances ainda maiores. Com direita unificada e campanha forte, Lula ainda pode
ganhar, mas o 2º turno fica mais provável. A ausência de candidatos
competitivos de centro é um dos principais fatores que poderiam levar Lula a
ganhar no primeiro turno, desde que o cenário econômico e político não se
deteriore muito até a eleição, esses são algumas das conjecturas sensíveis de
que falamos no início do artigo
Com base nessa análise e
alguns dados de 04 pesquisas mais recente de institutos diferentes, vou me
arriscar a apresentar alguns cenários de forma hipotética, sempre considerando
conjecturas sensíveis como economia, pauta do congresso, movimentações
politicas e outros fatores que anoitei, só pra deixar a lógica eleitoral bem
concreta. Para isso, vou usar percentuais aproximados de votos válidos
pra facilitar a visualização.
CENÁRIO 1 — Direita fragmentada + centro fraco:
situação mais favorável para Lula. Para isso, precisamos considerar o
seguinte contexto:
Hipóteses
·
Flavio Bolsonaro ou nome da direita forte, mas
sem alianças amplas
·
Centro irrelevante (candidatos < 5%)
·
Economia “ok” ou levemente positiva
Nesse contexto
teríamos a seguinte distribuição:
·
Lula: 50–53%
·
Direita principal: 35–38%
·
Outros: 7–10%
Esse é o cenário clássico de “voto útil”:
eleitores de centro e centro-esquerda migram para Lula para evitar segundo
turno, favorecendo uma vitória de Lula já no 1º turno
CENÁRIO 2 — Direita unida + centro fraco: cenário mais
competitivo
Hipóteses
·
Um nome único da direita (Flavio Bolsonaro)
·
Centro inexistente
·
Economia neutra
·
Economia “ok” ou levemente positiva
Nesse contexto
teríamos a seguinte distribuição típica
·
Lula: 47–49%
·
Direita unificada: 41–44%
·
Outros: 7–9%
Lula pode ganhar no 1º turno por
pouco, ou a eleição vai para o 2º turno por margem mínima,
disputa no limite. Esse é o cenário mais “no fio da navalha”.
CENÁRIO 3 — Direita unida + economia ruim: desfavorável
ao Lula
Hipóteses
·
Crise econômica, inflação alta ou desgaste forte
do governo
·
Direita com discurso econômico organizado
Distribuição típica
·
Lula: 44–46%
·
Direita: 44–46%
·
Outros: 8–10%
Esse é o pior cenário para o
governo, porque o segundo turno é certo, pois nesse contexto, parte do
eleitor pragmático segura o voto ou migra para a direita, é tudo que o centrão
quer, para pôr em pratica seu pragmatismo em ambas a frentes com composições
regionais.
CENÁRIO 4 — Centro competitivo semelhante a comparação
histórica das eleições do tipo 2018 e 2022.
Resultado
·
Centro com 10–15% dos votos (Ciro, Tebet,
Marina)
Distribuição típica
·
Lula: 43–48%
·
Direita: 35–40%
·
Centro: 10–15%
Resultaria em 2º turno, basicamente ao que aconteceu em 2022, Lula ganhou, mas o
centro “segurou” o 1º turno.
então a síntese dessa primeira
parte da análise do artigo pode ser definida nas seguintes situações e chances
relacionadas a elas de vitória de Lula no 1º turno: Centro fraco + direita fragmentada –
chance alta; Centro fraco + direita unida – chance media; Economia ruim –
chance baixa; Centro forte – chance muito baixa da eleição ser definida no 1º
turno.
Passando para a segunda parte do artigo, vamos
analisar o fator KASS
AB, um dos maiores operador da política brasileira, gostem
ou não dele. Nos últimos dias ele
produziu a o fato mais impactante da política nacional, consegui filiar em uma
só legenda (PSD) os três principais candidato do centro. Contudo, esse movimento
deixou no ar muitas perguntas sobre o futuro desdobramento e impactos nas movimentações de cada campo politico. Portanto leitor, vamos buscar
destrinchando
o manual Kassabista de sobrevivência e maximização de poder,
porque há lógica estratégica bem clara por trás de cada
hipótese.
A lógica central de Kassab é ter
o máximo de opções sobre o seu controle, por isso, ele trouxe para o PSD os principais
pré-candidatos de centro, para trabalhar com três objetivos simultâneos: 1º não
fechar porta cedo demais; 2º evitar rachaduras internas; 3º usar os nomes
nacionais como moeda de negociação, não necessariamente como
candidaturas reais. Para Kassab, ter presidenciáveis é mais importante
do que lançá-los. pois eles servem para aumentar poder
de barganha nacional, proteger o partido em negociações regionais e justificar
neutralidade formal no 1º turno. não atoa ele já começou dialogar com outros campos e, a primeira agenda será com o Presidente Lula.
A chance de lançar Ratinho
Jr. e isolar a legenda, com possibilidade de reduzir a bancada em 2026, é bastante remota, é justamente o
cenário que Kassab quer evitar, pois uma candidatura presidencial “pura” do PSD
nacionaliza a eleição, o que obriga deputados e senadores a se
posicionarem. Isso levaria a quebra acordos regionais,
especialmente com Lula no Nordeste e com bolsonarista no Sul/Centro-Oeste.
Nesse contexto, existe um risco direto e real de redução da bancada,
justamente o que é inaceitável para Kassab. Ele pensa o partido de
baixo para cima (Congresso → governos → Planalto), nunca o contrário.
O lançamento da candidatura
própria com Ratinho Jr. só faria sentido se ele estivesse muito bem nas
pesquisas (20%+), ou se fosse parte de um acordo maior (ex.: segundo turno
garantido + compromisso de bancada) e hoje isso parece improvável.
é fato que Kassab é uma incógnita, e mesmo contrariando a analise exposta acima,
ele pode sim, lançar um dos três para ajudar Flávio Bolsonaro e forçar um 2º turno.
Porém, ele faria um segundo movimento, liberando acordos regionais pró Lula, um
candidato “nem Lula, nem Flavio Bolsonaro”. Tiraria votos de Lula no sul/Sudeste, reduzindo, reduzindo as chances de vitória no 1º turno e ao mesmo tempo, o PSD liberaria
diretórios regionais para apoiar Lula, mantendo as portas abertas com o
bolsonarismo para o 2º turno. Desse modo Kassab ficaria de bem com Lula
numa governabilidade futura, de bem com Flávio num equilíbrio
institucional e de bem com o mercado, repassando a imagem de
moderador. Para isso, no 1º turno o PSD teria que adotar uma postura agressiva, desgastando o governo e deslocando do bolsonarismo, o que poderia comprometer o poder de barganha.
portando a logica que tem mais chance de ser colocada em pratica e que mais combina com o DNA do PSD, é fortalece o Senado onde
Kassab gosta de atuar, evitando a nacionalização excessiva, permitindo acordos
regionais assimétricos, com seguinte raciocínio: o PSD com Lula num estado, PSD com bolsonaristas
em outro e PSD com centro local em outro. Assim resultaria em uma bancada maior,
partido indispensável no Congresso; presença garantida em qualquer
governo eleito. Pois Kassab sempre prefere menos holofote e mais
poder real.
Na
última hipótese e pouco provável, no que diz Kassab e o PSD, seria a possibilidade
de indicar um dos três como vice, a qualquer um dos candidatos já consolidado.
Porém, mesmo com possibilidades remotas, mas se acontecer, essa pode ser uma das cartas
mais fortes do baralho.
Nesse cenário, as probabilidades
de uma composição com Lula, o vice do PSD tem que moderado palatável, que agrada
mercado e sinaliza frente ampla, reduzindo a resistência no Sul/Sudeste, o que define
as características de Eduardo Leite com chances reais, especialmente se Lula
quiser ampliar margem no Sul e Sudeste. No caso de pender a direita, o vice do
PSD ajudaria a “desradicalizar” a chapa de Flavio Bolsonaro, ampliando pontes
institucionais e daria ao PSD influência direta no Planalto. Kassab adora vice porque
dá poder sem desgaste, preserva bancada e garante acesso ao núcleo do governo.
A
conclusão é que Kassab não joga para ganhar a Presidência. Ele joga
para ganhar o sistema. Portanto, dentro da lógica Kassabista de pensar e agir,
a candidatura a presidência de de Ronaldo Caiado já era, resta a ele o senado de Goiás, lançando sua esposa a
Deputada Federal.
Contudo o centro não é não apenas Kassab
e o PSD, portanto, para um cenário de conjuntura mais preciso, precisamos
analisar o comportamento sistêmico do Centrão. Sempre deixando
claro aqui que se trata de cenários hipotéticos, partindo da
premissa da candidatura única de Lula no
campo da esquerda, levando em consideração as possíveis movimentações de
Kassab /PSD, mas a consolidação do campo bolsonarista, com o nome de Flávio
ganhado tração.
Uma candidatura do PP/UNIÃO
BRASIL é pouco provável, e isso é fato, pois Centrão não gosta de
candidatura presidencial “de verdade, pelas mesmas razões do PSD, pois nacionaliza
a eleição, obriga alinhamento ideológico, quebra acordos regionais
e reduz eficiência eleitoral no Congresso. Quando o Centrão lança
candidato, geralmente é balão de ensaio, como instrumento de pressão
sobre os polos. Não se vê nessa Federação, que perdeu Ronaldo Caiado, pré-candidato
com pré-requisitos; a começar com dois dígitos a disputa, que unifica PP
+ UB + Republicanos e garanta compensação clara em bancada e ministérios. Hoje,
isso parece improvável, pois o custo é maior que o benefício.
O caminho mais provável é a
opção pela neutralidade como estratégia de barganha e focar em bancada,
principalmente quando há a chance de uma polarização forte, com dois polos
competitivos e risco de vitória no 1º turno de um deles. Assim, se libera
acordos estaduais assimétricos; maximiza votos para deputado e senador; permite
negociação com quem vencer e evita “apostar errado”. Na visão
de seus articuladores (Ciro e Rueda), neutralidade não é passividade é
barganha permanente. Desse modo, eles apoiam Lula em estados do Nordeste; apoia
a direita no Sul/Centro-Oeste; e ficar neutros onde isso maximize bancada.
Contudo o Centrão vive um dilema num jogo de xadrez silencioso com Kassab/ PSD, que é não perder o time numa tomada
de decisão pela neutralidade ou lançar candidatura própria, pois qualquer
movimento errado ou de forma tardia, compromete todo planejamento estratégico
na busca de protagonismo.
Sim, e esse ponto é
muito perspicaz, pois á um risco real para PP, UB e
Republicanos, se Kassab chegar primeiro ao discurso de
“moderação responsável” e ocupar o centro institucional, nesse caso, ele virar
o principal fiador da governabilidade futura. Para
evitar isso, o Centrão ( Artur Lira, Ciro Nogueira, Marcos Pereira e Hugo Mota) pode anunciar neutralidade cedo, apoderando da agenda do
Congresso e se vender como poder moderador nacional, puxando
protagonismo regional antes do PSD, criando uma competição silenciosa, para ver
quem chega primeiro como fiador do sistema.
Mas
existe outro dilema existencial do centrão, ele está dividido em duas almas:
uma alma eleitoral regional que quer neutralidade e outra alma
ideológica / identitária → quer lado, sobretudo na direita
bolsonarista. Exemplos claros são que Republicanos tem vínculos fortes com
bolsonarismo; já parte do PP depende de alinhamento conservador e o União
Brasil é internamente fragmentado. Isso torna a neutralidade informal
mais provável que a formal, sem anúncio nacional; com liberdade total nos
estados e com discurso de que “cada diretório decide por si”.
Aguardemos
cenas das próximas movimentações. e em breve farei uma analise de conjuntura estadual.


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