1.31.2026

UMA ANALISE DA CONJUNTURA POLITICA NACIONAL E SUAS POSSIBILIDADES




Nesse artigo eu faço uma análise da conjuntura política nacional, abordando três eixos: qual a possibilidade concreta de reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Abordo o fator Kassab com a filiação de três presidenciáveis ao PSD e suas futuras articulações, bem como, o dilema do Centrão (PP, REPUBLICANOS E UNIÃO BRASIL) em antecipar uma possível neutralidade ao PSD ou aderir de vez a candidatura de Flavio Bolsonaro. É clara que em meio a tudo isso, será mostrada a consolidação da candidatura do campo bolsonarista, do Senador Flavio Bolsonaro.

De antemão, que deixar claro que esse é um artigo de percepções subjetiva, com base nas pesquisas mais recente e com resultados aproximados, além de muita leitura e acompanhamento dos noticiários das movimentação políticas. Porém, não que dizer que as leituras feitas aqui não tenham validade, pois a pesquisas são retratos de momentos muitas vezes transitórios e voláteis, é preciso esta atento a fatos e conjecturas sensíveis que muitas vezes são mais permanentes e duradouras.

Então vamos começar pela pergunta que faz bastante sentido no contexto político brasileiro. Com a ausência de candidatos competitivos do centro, a exemplo do pleito passado, como Ciro Gomes, Simone Tebet, há chances de uma reeleição do Presidente Lula já no primeiro turno? Sem esse de centro, seja os três presidenciáveis o PSD ou do PP/UNIÃO BRASIL, a resposta é contundente, sim, as chances de Lula vencer no primeiro turno aumentam significativamente, por alguns motivos chaves que vou abordar de forma objetiva.

 

O primeiro motivo seria a concentração do voto “anti-Bolsonaro”. Em cenários sem centro forte, o eleitorado tende a se polarizar. Parte relevante do eleitor que poderia votar em nomes de centro acaba migrando para Lula como voto útil, para encerrar a disputa logo no primeiro turno.

O segundo motivo está a uma Base eleitoral consolidada do Lula. Lula costuma partir de um patamar alto de intenção de votos, especialmente, no Nordeste, entre eleitores de baixa renda e entre eleitores que avaliam positivamente seus governos passados. Sem candidaturas competitivas drenando votos desse campo, ele se aproxima mais facilmente dos 50% + 1 dos votos válidos.

 O terceiro motivo está relacionado a possível fragmentação da direita. Se o campo à direita estiver dividido (Bolsonaro + eventuais candidaturas menores), isso facilita ainda mais uma vitória no primeiro turno. Mesmo uma direita relativamente coesa, sem um centro forte, já ajuda Lula.

Por fim um quarto motivo, é o histórico recente ajuda a entender as razões apresentadas até aqui. Em 2022, mesmo com Tebet e Ciro na disputa, Lula venceu o primeiro turno com cerca de 48% dos votos válidos, ficando muito perto de liquidar a eleição ali. Sem eles, parte relevante desses votos tenderia a migrar para Lula.

 

Então, em termos práticos poderíamos fazer um seguinte resumo: Com centro fraco ou inexistente: chances reais e altas de vitória no 1º turno: Com direita fragmentada, chances ainda maiores. Com direita unificada e campanha forte, Lula ainda pode ganhar, mas o 2º turno fica mais provável. A ausência de candidatos competitivos de centro é um dos principais fatores que poderiam levar Lula a ganhar no primeiro turno, desde que o cenário econômico e político não se deteriore muito até a eleição, esses são algumas das conjecturas sensíveis de que falamos no início do artigo

 

Com base nessa análise e alguns dados de 04 pesquisas mais recente de institutos diferentes, vou me arriscar a apresentar alguns cenários de forma hipotética, sempre considerando conjecturas sensíveis como economia, pauta do congresso, movimentações politicas e outros fatores que anoitei, só pra deixar a lógica eleitoral bem concreta. Para isso, vou usar percentuais aproximados de votos válidos pra facilitar a visualização.

 CENÁRIO 1 — Direita fragmentada + centro fraco: situação mais favorável para Lula. Para isso, precisamos considerar o seguinte contexto:

Hipóteses

·                 Flavio Bolsonaro ou nome da direita forte, mas sem alianças amplas

·                 Centro irrelevante (candidatos < 5%)

·                 Economia “ok” ou levemente positiva

Nesse contexto teríamos a seguinte distribuição:

·                 Lula: 50–53%

·                 Direita principal: 35–38%

·                 Outros: 7–10%

 Esse é o cenário clássico de “voto útil”: eleitores de centro e centro-esquerda migram para Lula para evitar segundo turno, favorecendo uma vitória de Lula já no 1º turno

 CENÁRIO 2 — Direita unida + centro fraco: cenário mais competitivo

Hipóteses

·                 Um nome único da direita (Flavio Bolsonaro)

·                 Centro inexistente

·                 Economia neutra

·                 Economia “ok” ou levemente positiva

Nesse contexto teríamos a seguinte distribuição típica

·                 Lula: 47–49%

·                 Direita unificada: 41–44%

·                 Outros: 7–9%

Lula pode ganhar no 1º turno por pouco, ou a eleição vai para o 2º turno por margem mínima, disputa no limite. Esse é o cenário mais “no fio da navalha”.

 CENÁRIO 3 — Direita unida + economia ruim: desfavorável ao Lula

Hipóteses

·                 Crise econômica, inflação alta ou desgaste forte do governo

·                 Direita com discurso econômico organizado

Distribuição típica

·                 Lula: 44–46%

·                 Direita: 44–46%

·                 Outros: 8–10%

Esse é o pior cenário para o governo, porque o segundo turno é certo, pois nesse contexto, parte do eleitor pragmático segura o voto ou migra para a direita, é tudo que o centrão quer, para pôr em pratica seu pragmatismo em ambas a frentes com composições regionais.

 CENÁRIO 4 — Centro competitivo semelhante a comparação histórica das eleições do tipo 2018 e 2022.

Resultado

·                 Centro com 10–15% dos votos (Ciro, Tebet, Marina)

Distribuição típica

·                 Lula: 43–48%

·                 Direita: 35–40%

·                 Centro: 10–15%

Resultaria em 2º turno, basicamente ao que aconteceu em 2022, Lula ganhou, mas o centro “segurou” o 1º turno.

então a síntese dessa primeira parte da análise do artigo pode ser definida nas seguintes situações e chances relacionadas a elas de vitória de Lula no 1º turno: Centro fraco + direita fragmentada – chance alta; Centro fraco + direita unida – chance media; Economia ruim – chance baixa; Centro forte – chance muito baixa da eleição ser definida no 1º turno.

Passando para a segunda parte do artigo, vamos analisar o fator KASS
AB, um dos maiores operador da política brasileira, gostem ou não dele.  Nos últimos dias ele produziu a o fato mais impactante da política nacional, consegui filiar em uma só legenda (PSD) os três principais candidato do centro. Contudo, esse movimento deixou no ar muitas perguntas sobre o futuro desdobramento e impactos nas movimentações de cada campo politico. Portanto leitor, vamos buscar
destrinchando o manual Kassabista de sobrevivência e maximização de poder, porque há lógica estratégica bem clara por trás de cada hipótese.

A lógica central de Kassab é ter o máximo de opções sobre o seu controle, por isso, ele trouxe para o PSD os principais pré-candidatos de centro, para trabalhar com três objetivos simultâneos: 1º não fechar porta cedo demais; 2º evitar rachaduras internas; 3º usar os nomes nacionais como moeda de negociação, não necessariamente como candidaturas reais. Para Kassab, ter presidenciáveis é mais importante do que lançá-los. pois eles servem para aumentar poder de barganha nacional, proteger o partido em negociações regionais e justificar neutralidade formal no 1º turno. não atoa ele já começou dialogar com outros campos e, a primeira agenda será com o Presidente Lula.

A chance de lançar Ratinho Jr. e isolar a legenda, com possibilidade de reduzir a bancada em 2026, é bastante remota, é justamente o cenário que Kassab quer evitar, pois uma candidatura presidencial “pura” do PSD nacionaliza a eleição, o que obriga deputados e senadores a se posicionarem. Isso levaria a quebra acordos regionais, especialmente com Lula no Nordeste e com bolsonarista no Sul/Centro-Oeste. Nesse contexto, existe um risco direto e real de redução da bancada, justamente o que é inaceitável para Kassab. Ele pensa o partido de baixo para cima (Congresso → governos → Planalto), nunca o contrário.

O lançamento da candidatura própria com Ratinho Jr. só faria sentido se ele estivesse muito bem nas pesquisas (20%+), ou se fosse parte de um acordo maior (ex.: segundo turno garantido + compromisso de bancada) e hoje isso parece improvável.

é fato que Kassab é uma incógnita, e mesmo contrariando a analise exposta acima, ele pode sim, lançar um dos três para ajudar Flávio Bolsonaro e forçar um 2º turno. Porém, ele faria um segundo movimento, liberando acordos regionais pró Lula, um candidato “nem Lula, nem Flavio Bolsonaro”. Tiraria votos de Lula no sul/Sudeste, reduzindo, reduzindo as chances de vitória no 1º turno e ao mesmo tempo, o PSD liberaria diretórios regionais para apoiar Lula, mantendo as  portas abertas com o bolsonarismo para o 2º turno. Desse modo Kassab ficaria de bem com Lula numa governabilidade futura, de bem com Flávio num equilíbrio institucional e de bem com o mercado, repassando a imagem de moderador. Para isso,  no 1º turno o PSD teria que adotar uma postura agressiva, desgastando o governo e deslocando do bolsonarismo, o que poderia comprometer o poder de barganha.

portando a logica que tem mais chance de ser colocada em pratica e que mais combina com o DNA do PSD, é fortalece o Senado onde Kassab gosta de atuar, evitando a nacionalização excessiva, permitindo acordos regionais assimétricos, com seguinte raciocínio: o PSD com Lula num estado, PSD com bolsonaristas em outro e PSD com centro local em outro. Assim resultaria em uma bancada maior, partido indispensável no Congresso; presença garantida em qualquer governo eleito. Pois Kassab sempre prefere menos holofote e mais poder real.

Na última hipótese e pouco provável, no que diz Kassab e o PSD, seria a possibilidade de indicar um dos três como vice, a qualquer um dos candidatos já consolidado. Porém, mesmo com possibilidades remotas, mas se acontecer, essa pode ser uma das cartas mais fortes do baralho.

Nesse cenário, as probabilidades de uma composição com Lula, o vice do PSD tem que moderado palatável, que agrada mercado e sinaliza frente ampla, reduzindo a resistência no Sul/Sudeste, o que define as características de Eduardo Leite com chances reais, especialmente se Lula quiser ampliar margem no Sul e Sudeste. No caso de pender a direita, o vice do PSD ajudaria a “desradicalizar” a chapa de Flavio Bolsonaro, ampliando pontes institucionais e daria ao PSD influência direta no Planalto. Kassab adora vice porque dá poder sem desgaste, preserva bancada e garante acesso ao núcleo do governo.

A conclusão é que Kassab não joga para ganhar a Presidência. Ele joga para ganhar o sistema. Portanto, dentro da lógica Kassabista de pensar e agir, a candidatura a presidência de de Ronaldo Caiado já era, resta a ele o senado de Goiás, lançando sua esposa a Deputada Federal.

 Contudo o centro não é não apenas Kassab e o PSD, portanto, para um cenário de conjuntura mais preciso, precisamos analisar o comportamento sistêmico do Centrão. Sempre deixando claro aqui que se trata de cenários hipotéticos, partindo da premissa  da candidatura única de Lula no campo da esquerda, levando em consideração as possíveis movimentações de Kassab /PSD, mas a consolidação do campo bolsonarista, com o nome de Flávio ganhado tração.

Uma candidatura do PP/UNIÃO BRASIL é pouco provável, e isso é fato, pois Centrão não gosta de candidatura presidencial “de verdade, pelas mesmas razões do PSD, pois nacionaliza a eleição, obriga alinhamento ideológico, quebra acordos regionais e reduz eficiência eleitoral no Congresso. Quando o Centrão lança candidato, geralmente é balão de ensaio, como instrumento de pressão sobre os polos. Não se vê nessa Federação, que perdeu Ronaldo Caiado, pré-candidato com pré-requisitos; a começar com dois dígitos a disputa, que unifica PP + UB + Republicanos e garanta compensação clara em bancada e ministérios. Hoje, isso parece improvável, pois o custo é maior que o benefício.

O caminho mais provável é a opção pela neutralidade como estratégia de barganha e focar em bancada, principalmente quando há a chance de uma polarização forte, com dois polos competitivos e risco de vitória no 1º turno de um deles. Assim, se libera acordos estaduais assimétricos; maximiza votos para deputado e senador; permite negociação com quem vencer e evita “apostar errado”. Na visão de seus articuladores (Ciro e Rueda), neutralidade não é passividade é barganha permanente. Desse modo, eles apoiam Lula em estados do Nordeste; apoia a direita no Sul/Centro-Oeste; e ficar neutros onde isso maximize bancada.

Contudo o Centrão vive um dilema num  jogo de xadrez silencioso com Kassab/ PSD, que é não perder o time numa tomada de decisão pela neutralidade ou lançar candidatura própria, pois qualquer movimento errado ou de forma tardia, compromete todo planejamento estratégico na busca de protagonismo.

Sim, e esse ponto é muito perspicaz, pois á um risco real para PP, UB e Republicanos, se Kassab chegar primeiro ao discurso de “moderação responsável” e ocupar o centro institucional, nesse caso, ele virar o principal fiador da governabilidade futura. Para evitar isso, o Centrão ( Artur Lira, Ciro Nogueira, Marcos Pereira e Hugo Mota) pode anunciar neutralidade cedo, apoderando da agenda do Congresso e se vender como poder moderador nacional, puxando protagonismo regional antes do PSD, criando uma competição silenciosa, para ver quem chega primeiro como fiador do sistema.

Mas existe outro dilema existencial do centrão, ele está dividido em duas almas: uma alma eleitoral regional que quer neutralidade e outra alma ideológica / identitária → quer lado, sobretudo na direita bolsonarista. Exemplos claros são que Republicanos tem vínculos fortes com bolsonarismo; já parte do PP depende de alinhamento conservador e o União Brasil é internamente fragmentado. Isso torna a neutralidade informal mais provável que a formal, sem anúncio nacional; com liberdade total nos estados e com discurso de que “cada diretório decide por si”.

Aguardemos cenas das próximas movimentações. e em breve farei uma analise de conjuntura estadual.

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